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O ciúme doentio entre pais e filhos

Por Karine Rizzardi

Ciúme pode se sinônimo de várias palavras, como posse, egoísmo, medo da perda e insegurança. Fato este, que destrói relacionamentos e acaba até com qualquer sentimento puro e doce de um pelo outro, mas é preciso sair do lado venenoso desse sentimento para desfrutar do gosto doce daquilo que é o contrário desse sentimento.

Quando se fala sobre esse tema, a idéia que nos vem a mente é de uma relação entre homem-mulher, mas pouco se explora a relação do ciúmes destrutivo que muitos pais tem pelos seus filhos.

Em alguns casos de casais separados, por trás de um pseudo sentimento de proteção sentem ciúmes que seus filhos fiquem com o ex-cônjuge e a forma mais prática e menos recomendável de demonstrar isso é deteriorar a imagem do outro para o filho. Nessas horas, infelizmente, são usados alguns argumentos como “seu pai não está nem aí para vocês”, ou “você já conhece ela e sabe que a sua mãe não muda”, são apenas exemplos que ilustram essa questão.

Outros pais sentem ciúmes de ver seus filhos os substituindo-os pelos amigos, pelos avós, pelo(a) namorado(a) ou porque estão querendo morar longe, mas isso jamais deve ser questionado. Uma coisa não tem nada a ver com a outra e somente um pai ou mãe mal resolvido teria ciúmes de ver seus filhos explorando seus mundos. Certamente haverá épocas que eles se focam mais para o externo, porém, saber que isso está acontecendo quando são adolescentes, por exemplo, é o maior termômetro que confirma que você criou bem seus filhos. Isso é prova de autonomia e independência e não deve ser encarado como algo ruim. Obviamente que dói. Dói ver um filho indo para longe dos nossos braços, mas assim é a vida. Filhos chegam na nossa vida, mas estão aqui para cumprir outros propósitos e é por isso que o casal não deve se perder de vista.

Há pais que querem ver os filhos dependentes deles e isso é tão perigoso que amputa a liberdade deles e é aqui que eu queria chegar. O contrário do ciúme é a liberdade. É ofertar liberdade ao outro… a liberdade de pensar diferente, de respirar, de escolher um rumo que talvez não seja o seu, mas que nos guia para um estágio superior onde em alguns anos mais tarde, todos se encontrarão e contemplarão os momentos felizes de ver uma família ampliada por netos, genros e noras, que reavivam nossa existência e confirmam que a vida tem entradas e saídas de filhos, mas o importante é deixarmos o legado de pais que souberam lidar com a impotência, tentando lhes dar a liberdade dentro de um equilíbrio de limites.

Todo extremo é suicida, portanto, vale lembrar que o que estou falando aqui não é daquele sentimento que todos tem ao ver um filho indo embora do ninho, mas sim, daquele ciúme devastador e problemático que impede de ver um filho alegre somente para não ter que entrar em contato com suas próprias questões mal resolvidas.

A autora é psicóloga especialista em casais e família.
karinerizzardi@hotmail.com

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