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O verdadeiro sentido para as crianças

O verdadeiro sentido para as crianças

Por Pr. Dinart Barradas*

O verdadeiro sentido para as crianças

“Como acontece de forma mais intensa na época do Natal, o Dia das Crianças nos leva à velha reflexão sobre o consumo. O objetivo original pelo qual foi instituído o Dia da Criança, semelhante ao Natal, tem perdido o seu sentido mais amplo e histórico. Como pode ser visto em artigos publicados na internet, esta data comemorativa foi criada por iniciativa política no início do Século XX, anos mais tarde, utilizando-se da data, a indústria voltada para o público infantil deu uma alavancada em suas vendas, valendo-se do apelo empregado na campanha comercial:

‘No Brasil, o Dia das Crianças foi criado por um político: o deputado federal Galdino do Valle Filho, na década de 1920. Em 1924, o então presidente da República, Arthur Bernardes, teria institucionalizado a data através do Decreto número 4.867, de 5 de Novembro de 1924. Naquela época, apesar da criação da data, o mercado brasileiro não era tão dinâmico e o Dia das Crianças não era comemorado como nos dias de hoje, nos quais as famílias se vêem na obrigação de dar presentes aos menores.

‘Foi na década de 1960 que a coisa mudou. Naquela época, observando que a data poderia ser utilizada comercialmente e render bons lucros, a fábrica de brinquedos Estrela e a indústria Johnson & Johnson se uniram para lançar a “Semana do Bebê Robusto”. Como o próprio nome dizia, durante essa semana se exaltava a saúde das crianças e sua aparência física, que poderia ser melhorada, é claro, com os produtos da Johnson & Johnson e com o acalento dos brinquedos da Estrela. A partir dessa campanha, outras empresas aderiram à data para aumentar suas vendas e, atualmente, o Dia das Crianças responde por uma considerável fatia das vendas das lojas, só perdendo para o Natal e para o Dia das Mães. O setor de brinquedos e vestuário espera ansiosamente por essa data, pois sabe de sua importância para as crianças de todo o país.’ **

Desde então, a cada ano que passa, aumenta a pressão sobre os pais e, como bem escreveu Regina Maximiano (Ministério de Finanças Crown), em outro artigo neste site, o impulso pelo consumo se acentua nestes dias que antecedem mais uma data comemorativa ou até mesmo durante toda a semana.

Todo este frisson em torno da semana da criança faz lembrar a história verídica de um pai que, a exemplo de muitos outros, gastava muitas horas do seu dia e muitos dias de sua semana trabalhando pelo sustento de sua família. Depois de muitos anos sem tirar férias resolveu passar alguns dias com sua família em um parque aquático e para isto fez um grande investimento financeiro. No determinado dia do passeio, o pai, orgulhoso de sua atitude altruísta e financeiramente generosa, tendo em mãos uma filmadora, pergunta à sua filha caçula que acabava de sair da água após mais uma descida em um tobogã: “Filha, do que é que você está gostando mais?”, ao que respondeu a menina, sem titubear: “De estar com a minha família!”. O pai insistiu na pergunta, pois ele na verdade queria saber de qual brinquedo a pequenina estava gostando mais: “Filha, de qual brinquedo você está gostando mais?”. Este pai, que me contava esta história ao lado de sua esposa, repete a também insistente resposta de sua filha. A sua esposa entra na conversa e me diz que a imagem gravada pela câmera nesta hora dá uma tremida devido às emocionadas mãos que a seguravam, pois a menina não responde simplesmente, ela olha solene para o pai e diz: “O que eu estou gostando mais é de estar com a minha família!”.

Com ou sem feriado, com ou sem presente, com ou sem lei federal, o que pode causar mais alegria ao coração de um filho ou uma filha, senão a presença abençoadora de um pai ou de uma mãe? O que mais sensibiliza o coração de um pai ou de uma mãe, senão o olhar singelo e sincero de uma criança que se faz alegre pela simples razão de ser um filho ou uma filha amada?

Não importa o que pode ser gasto nestes dias de consumo apregoado e desenfreado, o que realmente terá valor e deixará marcas indeléveis no coração de seus filhos será o amor derramado através de um estimulante encorajamento verbalizado ou escrito, ou de um tempo interminável de poucos minutos exclusivos, ou de um toque acolhedor de profundo poder curativo, ou de um banquete nababesco servido em uma “bandejinha do R$ 1,99”. Quem sabe até mesmo um investimento financeiro que revelará, em sua essência e não em suas cifras, o enorme valor que tem para aquela criança o simples fato de ser chamada de meu filho, minha filha.”

* Pr. Dinart Barradas – Diretor do Ministério Educação de Filhos à Maneira de Deus. Casado com Norma Barradas e pai de duas filhas, Damaris e Helena.

** Fonte: Revista Incorporativa – Artigo: “A origem do Dia das Crianças”, de Ricardo Barros – www.incorporativa.com.br

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