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A falácia das compras a prazo, sem juros

Os consumidores estão cansados de ver propagandas de compras a prazo e sem juros. Será possível mesmo uma loja vender uma mercadoria, por exemplo, em 10 prestações sem juros?

Quando uma loja anuncia que vai vender um smartphone por R$ 1.000 à vista ou parcelado em 10 vezes de R$ 100, matematicamente os juros são zero. Entretanto, economicamente não. Os juros estão lá, porém não são explícitos. Isso porque o valor do dinheiro no tempo não é o mesmo, seja pelo custo de oportunidade representado aqui pela taxa básica de juros, seja pelo poder de compra caso haja inflação.

Percebe-se que o preço à vista, que poderia ser mais barato, acaba sacrificado para poder se vender parcelado com os juros embutidos. Isso mostra que, no Brasil, em função das elevadas taxas de juros e dos spreads bancários (diferença entre a taxa de juros cobrada de quem pega empréstimo e a paga a quem faz investimentos), as lojas querem, além de mercadorias, vender dinheiro também.

Ao vender a prazo, o lojista empresta dinheiro ao consumidor e este acha que está fazendo um bom negócio ao pensar que comprou parcelado sem se dar conta dos juros implícitos.

Atualmente, a taxa básica de juros (Selic) encontra-se em 10,5% ao ano, o que significa aproximadamente 0,84% ao mês. Já a inflação do ano passado, pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 5,91%, o que equivale a uma média de 0,48% ao mês.

Então a taxa de juros real adotada no exemplo a seguir será de 4,33% ao ano, que equivale a aproximadamente 0,36% ao mês. Para saber qual seria o preço real, sem juros embutidos e à vista que o lojista poderia cobrar ao considerar os dados da Selic e a inflação projetadas para 2014, assume-se a hipótese da Selic a 10,5% ao ano e o percentual da inflação igual ao do ano de 2013.

O quadro e o gráfico abaixo mostram que economicamente não existe parcelamento sem juros e que, à medida que o número de parcelas aumenta, o comerciante teria plenas condições de conceder um desconto maior para pagamento à vista, ou seja, quanto maior o prazo, maior é o montante pago pelos consumidores.

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E vale lembrar que no cálculo acima foi considerada a mesma forma de pagamento à vista ou parcelada. Se o preço parcelado puder ser pago no cartão de crédito e o consumidor optar pelo pagamento à vista e em dinheiro, o mesmo ainda pode barganhar um desconto maior do que os apresentados acima, uma vez que o lojista paga, em média, 3,5% de taxa de administração para os cartões de crédito.

Em suma, não existe parcelamento sem juros Com isso, os consumidores devem ficar cada vez mais atentos e somente comprarem a prazo se realmente for necessário.

Se for apenas um desejo, vale a pena juntar para pagar à vista e pedir um desconto com os argumentos técnicos apresentados acima.

Post em parceria com o professor Fernando Antônio Agra Santos (Universidade Salgado de Oliveira), doutor em economia aplicada (UFV) e economista da UFJF (CRITT), www.fernandoagra.webnode.com

Fonte: UOL economia/colunas

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