Compartilhe!

Quanto Custa Ser Um Homem? (Parte II)

Imagem ilustrativa.

Quanto Custa Ser Um Homem? (Parte II)
Por Paul Washer*

Continuação do artigo Parte I

Quando um rapaz pode iniciar um relacionamento?

Quando ele pode ser um provedor para aquela pessoa. Por exemplo, se seu pai e sua mãe ainda pagam suas contas, “você não tem o direito” de pensar em alguém do sexo oposto. Apenas porque você atingiu certa idade não quer dizer que pode participar de tudo o que diz respeito a um homem. Você pode ter vinte e um anos e ser ainda um menino.

A Bíblia sempre trata com homens “e por esta razão o homem deixa seu pai e sua mãe para se unir a mulher”.

Esta idéia de namoro recreativo, “estou com ela porque gosto dela”, não existe na bíblia, nem mesmo nas culturas dos povos, exceto na cultura moderna ocidental. Os cristãos têm em média, pelo menos cinco relacionamentos antes de se casarem. Então, quando chegam ao altar, cinco partes deles estão espalhadas por aí. Eles não são uma pessoa completa. Você não sai de um relacionamento, com qualquer que seja o tipo de intimidade que tenha praticado, sem deixar uma parte de você mesmo para trás.

Não existe na Bíblia a idéia de um garoto, debaixo do teto de seus pais, alimentando-se da mesa deles, sendo sustentado por eles, que irá sair e se divertir com alguém do sexo oposto. Ela diz que para estar junto com alguém você deve deixar seu pai e sua mãe.

Então, tudo o que conhecemos terá que ser mudado? Exatamente. Mas se você é jovem, você crescerá rápido se disser: “Eu não posso mais ser um garoto ou brincar com as coisas de garoto, e ao mesmo tempo esperar ter a permissão de participar dos privilégios de homens”.

A principal responsabilidade do pai é que quando seus garotos atingirem 18 anos, eles já sejam homens. E por que a masculinidade bíblica se perdeu nos dias de hoje? Eu perguntava para um grupo de garotos: “Vocês estão no ensino médio. Vocês já escutaram seus amigos conversando sobre como crescer e se tornar um homem de verdade, desenvolver seu caráter, ser capaz de tomar conta de si mesmo, depois encontrar uma esposa e criar uma família santa?” Não, eles estão todos brincando com Playstations ou coisas parecidas.

Eu morei em uma tribo no Peru por muitos anos. Lá, quando um garoto tem 14 anos ele pode se casar, porque ele pode construir sua casa, pode fazer uma plantação, pode lutar para defender sua tribo de outras tribos. Mas na nossa cultura, a época do colégio é pura diversão, sem essa noção de “Eu tenho que me tornar um homem”. Depois, vem a universidade, que nada mais é que um colégio com pessoas mais velhas, onde o mesmo espírito permanece: “Vamos pra festa! Vamos andar por aí com nossos amigos! Vamos continuar a nos divertir”. E alguns, quando saem da universidade, continuam: “Ótimo, agora eu tenho dinheiro, posso comprar mais Playstations! Posso ter mais hobbies e comprar brinquedos mais caros”. E claro, eles querem sexo, então entram em um relacionamento. Mas, mesmo após o casamento, nunca assumem a responsabilidade de seu relacionamento. Pois não sabem que estão se casando com uma esposa, acham que estão casando com uma “mãe”, então querem que o tratamento de “mãe” continue.

Os pais têm essa idéia de que quando seus filhos atingem a idade de 12 anos, 11 anos (e a idade continua diminuindo), e começam a pensar sobre o sexo oposto, é chegada a hora de entrarem em relacionamentos. Este não é o sinal de Deus de que seu filho deve entrar em um relacionamento, mas é o sinal de Deus que é hora de começar a trabalhar a sua masculinidade, para que, com o tempo, ele se torne um homem e possa entrar em um relacionamento. O mesmo vale para as meninas. A ideia de ter garotos e garotas de 12 e 13 anos se relacionando é doentia.

O pior erro que um pai pode cometer é chegar para um de seus garotos e dizer: “Você é jovem, bonito, porque você não arranja umas namoradinhas?” Eu vou lhe parar no mesmo instante e lhe manter distante dos meus filhos. Jovens garotos devem estar construindo castelos, lutando contra dragões e lendo Crônicas de Narnia.

O que acontece é que quando aquela faísca aparece, não há ninguém para direcioná-lo. Quem lhe ensina sobre isto é a televisão, revistas e outros garotos como ele. Gasta-se muito tempo conversando sobre garotas, jogos, passeando por shoppings e todo aquele tempo que deveria ser usado para desenvolver masculinidade e feminilidade, é jogado fora.

Nos anos 60 e 70, nós quisemos dar ouvidos a grupos de feministas e homossexuais que queriam nos ensinar a como criar nossos filhos. Nós deveríamos ter consultado as escrituras, as veredas antigas, os caminhos do Senhor.

Sua obrigação não é dar às crianças todas as coisas que você nunca teve, pois foram as coisas que você nunca teve que fez de você o homem que você é hoje, e são estas coisas que você nunca teve e que você dá aos seus filhos que estão transformando-os em inúteis.. Não devemos dar as nossas crianças tudo o que não tivemos, devemos dar a elas nós mesmos, um mentor, um pai, um líder.

Verso 19 de Gênesis 3 diz: “Do suor da tua face tu comerás o pão…”. Há tempos atrás, apenas pessoas milionárias viviam em mansões. Mas, na nossa sociedade moderna, achamos que qualquer pessoa que trabalhe meio-período tem o direito de morar em uma casa destas. Achamos que merecemos tudo, e que temos o dever de viver o estilo de vida que os ricos famosos vivem.

Não, não caiamos na falsa idéia de que merecemos uma vida fácil com várias férias, viajar quando bem quisermos, terminar nosso trabalho no final do dia, trazer comida para casa, depois sentar na poltrona e ficar ali como um tronco de madeira morto, porque merecemos. Isto está errado! Devemos viver do suor do nosso trabalho.

Esta é sua vida como homem. Você tem muitas obrigações a cumprir e pouco tempo para descansar. Sinto muito, isto é masculinidade.

Em suma, devemos acordar bem cedo, ir trabalhar, voltar para casa, e aí então, nosso real trabalho começa. Temos uma esposa em casa para cuidar, que precisa de muito mais do que apenas trazermos comida. E temos crianças que precisam ser discipuladas e mentoreadas. Então, desabamos na cama, para acordar no dia seguinte e fazer tudo de novo. Esta é a razão pela qual a mulher deve cuidar da casa e viver para seu marido, pois a vida dele é viver para eles.

Nossa cultura prega que devemos ter uma vida fácil. Quando aconteceu a queda no Jardim do Éden, a vida fácil foi embora. Muitos homens trabalham, e eles odeiam isso, ficam com suas famílias apenas o suficiente para fazer o mínimo, e então fogem de seus trabalhos e de suas famílias para fazer algo que realmente gostem, e suas vidas ficam sempre nestes hobbies, nos esportes, em descansar, e outras coisas.

A única maneira de achar contentamento nesta vida é vendo o seu trabalho e suas responsabilidades nesta terra como ordenanças de Deus e aguardando sua recompensa no céu, realizando o trabalho que lhe é proposto e tirando sua alegria do fato de agradar a Deus ao assumir a responsabilidade de sua masculinidade.

Então, não podemos praticar esportes ou descansar? Podemos, mas não tanto quanto gostaríamos, ou tanto quanto meus amigos, que não são casados ou não tem filhos. Existem fases diferentes em nossas vidas. Onde está seu coração? A verdadeira alegria não está em continuar sendo um menino eternamente, apenas com brinquedos mais caros e continuamente sendo cuidado por uma mãe, seja ela sua mãe mesmo ou sua esposa. A alegria e o contentamento vêm de assumir a responsabilidade que lhe foi proposta por Deus, de prover para sua família, não apenas coisas físicas, pois isso é apenas uma pequena parte da provisão.

A pessoa mais importante na face da terra para um homem deve ser sua esposa. E vice-versa. Uma terrível ilustração para isto é que, se eu estiver em um barco com minha mulher e meus filhos, e o barco estiver afundando, e apenas eu souber nadar e for capaz de salvar apenas uma pessoa, eu devo salvar minha esposa. Você já deve ter escutado: “Não há amor como o de mãe”, isso é errado, a bíblia fala que não há amor como o amor de um pai.

Você sabe por quê tantas mulheres são tão ligadas a seus filhos?

Porque suas necessidades emocionais que deveriam ser supridas por seu marido não o são, então elas buscam esse suporte emocional nos seus filhos. O problema é que as crianças não foram feitas para nutrir emocionalmente os pais. Se o marido amar a esposa mais do que tudo, as crianças olharão e dirão: “Meu pai ama minha mãe mais do que tudo neste mundo. Este lar está seguro como uma rocha, papai não vai a lugar nenhum”. E a filha dirá: “Então é assim que um homem deve tratar uma mulher. Meu pai trata minha mãe como se fosse uma rainha. Eu não irei aceitar nada menos do que isto”.

*O autor é fundador e diretor do ministério Heart Cry Missionary Society.

CONHEÇA NOSSOS CURSOS