Compartilhe!

Por que os estudantes precisam de líderes autênticos

Por Dr. Tim Elmore

fósforo

Acabei de ler um relatório sobre uma estudante universitária da Carolina do Norte que desapareceu este ano. Após cerca de onze dias, quando os pais e dirigentes escolares vasculharam o campus sem, porém, encontrá-la, foi descoberto que ela havia cometido suicídio. Seu corpo foi encontrado pendurado em uma árvore numa área arborizada.

Busquei informações mais profundas e descobri que essa estudante, como tantos outros, foi vítima de sua própria visão de mundo. Ela decidiu se suicidar porque não podia se imaginar tendo que suportar as realidades, as dificuldades e os traumas da vida naquela universidade.

Ninguém sabia porque ela usava uma máscara.

Nos últimos dias, ela se sentia sozinha. Ela era como milhares de outros estudantes que de alguma forma percebem que estão passando por lutas, enquanto todo mundo parece estar  muito bem.

Hoje, eu quero falar sobre como os líderes podem orientar os jovens estudantes rumo a uma visão saudável quanto à vida e à realidade.

Penn Face e a Síndrome de Duck

A saúde mental é uma preocupação crescente em muitas universidades, o que levou grupos de trabalho a discutirem como lidar com a quantidade desproporcional de estudantes que lutam mentalmente e emocionalmente. O interessante é que os alunos estão conscientes da fachada de manter e esconder sua luta. Muitas vezes, eles trabalham duro para sustentar uma aparência saudável.   Para as pessoas que “assistem” esses jovens, a sua história parece perfeita.

A revista Time relatou recentemente que a superestrela das mídias sociais, Essena O’Neill, “… anunciou que, apesar de ter mais de meio milhão de seguidores no Instagram, 200.000 no YouTube e Tumblr, 60.000 no Snapchat, ela está deixando as mídias sociais para o seu próprio bem.  A australiana de 18 anos de idade estava vivendo o que parecia ser uma vida “perfeita”, mas ela decidiu tomar uma posição contrária aos ideais sociais que a mídia apresenta”.

Há um termo usado na Universidade da Pennsylvania chamado “Penn Face.”  Esse termo descreve que os estudantes têm a necessidade de expressar um comportamento de serem felizes, mesmo quando isso é falso.  Ele descreve os estudantes como quem aparenta viver uma vida quase perfeita, criando a ilusão de que estão no topo do mundo.   Isso faz com que os outros alunos se sintam estressados, inadequados e oprimidos. Embora este termo é exclusivo para Penn, o problema não é exclusivo.

Em 2003, a Universidade Duke divulgou um relatório explicando como seus estudantes do sexo feminino sentiram pressão para serem “perfeitas sem esforço”: inteligentes, realizadas, em forma, bonitas e populares, tudo isso sem trabalho.   Em Stanford, isso é chamado de “Síndrome de Duck” (em português, “Síndrome do Pato”).    Um pato parece deslizar calmamente sobre a água, mas abaixo da superfície ele está remando freneticamente com suas patas. É como uma pintura de angústia invisível.

Estes termos têm uma coisa em comum: os alunos parecem bem externamente, mas estão em crise sob a superfície (internamente).

É uma imagem dividida: uma que você pode ver; outra que é real.

O valor das conversas autênticas

Como líderes na vida dos jovens e adolescentes, nós devemos ser exemplos de pessoas que encaram as dificuldades, que trabalham, ainda que falhemos e, acima de tudo, que não escondem suas lutas.  Em algum lugar ao longo do caminho, os alunos ficaram com a ideia de que todo mundo está bem … exceto eles.  Que a vida é ótima para os outros e sua luta é estranha e única.

O Conselho Consultivo do Colégio Dean, em Penn,  realizou um painel para dissipar essa noção. Eles queriam lançar luz sobre o fato de que todos no campus, independentemente do seu grau de desempenho escolar, sua posição de liderança ou de como sua vida possa aparentar na mídia social, lutam com as mesmas questões.

Isto pode soar como uma conclusão óbvia, mas eu lhes asseguro:  os estudantes de hoje precisam ser lembrados disso para o seu próprio bem estar emocional. Eles têm atingido a idade de irem para a faculdade enganados na forma de pensar, pois os adultos não têm sido autênticos com eles. Os pais muitas vezes não conseguem ensinar seus “filhinhos” que a vida pode ser lenta e decepcionante, que o mundo pode atirar “bombas” emocionais sob a forma de dissoluções, da rejeição dos amigos, acidentes de carro, desemprego e outras situações.

Na verdade, isso é o normal.  A vida é assim para 95% da população do mundo. E no meio de tudo isso ainda podemos ficar satisfeitos mesmo quando as coisas não vão de acordo com a nossa vontade.

Ao mesmo tempo em que nós dizemos que queremos viver nossa vida sendo autênticos e transparentes, são poucos os líderes que realmente fazem isso.

Eu já disse isso antes e vou dizer novamente: vivemos em uma sociedade que é artificial, superficial, de cosméticos e fabricadas. Nossos alunos precisam de nossa ajuda para “caírem na real” sobre nossa vida (que muitas vezes está desarrumada) e suas vidas confusas.

Então aqui estão algumas sugestões:

  1. Identifique um estudante ansioso e encontre tempo para tomar um café e conversar.
  2. Pergunte sobre a sua semana ou mês. Como vão as coisas? Quais são suas lutas?
  3. Mostre o caminho de um relacionamento transparente, compartilhando seus próprios desafios;
  4. Converse sobre a realidade da “imagem dividida” (viver uma fachada versus esconder o que é real);
  5. Fale sobre os benefícios terapêuticos da autenticidade e da responsabilidade.

É importante incentivar os jovens a encontrarem um mentor, uma pessoa em quem possam confiar.  Se possível, coloque-se VOCÊ à disposição para ser essa pessoa.

Dr. Tim Elmore é fundador e presidente do Growing Leaders, criador do curso HABITUDES – Imagens que formam os hábitos e as atitudes do líder.  Por meio de seu trabalho, ele se dedica a desenvolver a próxima geração de líderes que amam a Deus e compreendem como influenciar o mundo ao seu redor.  Tim trabalha com jovens estudantes há mais de 30 anos.

CONHEÇA NOSSOS CURSOS