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Põe tudo à prova. Retém o que é bom.

PÕE TUDO À PROVA. RETÉM O QUE É BOM. 

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Um certo professor meu muito querido disse em sala de aula que “professor não é exatamente aquele que sabe mais do que os outros, mas aquele que viveu antes”. Hoje, em fase mais madura da vida, entendo porque quando somos jovens deixamos de aprender, de viver intensamente o que é bom, de acertar, de reconhecer os erros, de recomeçar certo; falta-nos a capacidade de ouvir de forma não preconceituosa o que as pessoas que já viveram antes têm para dizer.

Após anos de trabalho profissional em consultório psicoterapêutico fiz uma descoberta interessante, a vida começa aos 13 anos de idade e não aos 40 como costumava ouvir as pessoas dizerem. É brincadeirinha, claro! Mas, de fato, a percepção de mundo, de toda sua amplitude, dos relacionamentos e das mais diversas possibilidades do ser e do ter afloram, esta sim com muita intensidade, por volta dos 13 anos de idade.

Além de ter filho nesta faixa etária convivo com vários jovens e adolescentes das mais diversas procedências sociais, porém, o comportamento é o mesmo. Há uma negação do passado (não tão passado assim) e um grande vigor em se refazer a vida, o comportamento, a forma, os valores, os relacionamentos, para que todo o entorno se ajuste a um novo “status quo”, sem, porém, que se percam os privilégios “herdados”, tomados como direito absoluto, pelo mero fato de tê-los recebido “gratuitamente” até então. Somente os privilégios permanecem arraigados ao cotidiano na adolescência e na juventude.

Não é raro, na verdade se tornou até “comum”, ser noticiado de que filhos, netos, sobrinhos, praticaram alguma violência contra os parentes, na tentativa de se apossarem dos tais privilégios, também chamados de bens materiais, para utilizarem da forma como desejarem neste seu novo “status quo”.

Então, surge daí as mais distintas expressões emocionais por parte dos pais, familiares, responsáveis e da sociedade. Os questionamentos têm origens lógicas, sentimentais, éticas, morais, espirituais, enfim, procedem da ânsia de entendimento sobre os motivos, os porquês desta  alteração tão radical no comportamento, sendo que a cada geração acreditam-se estar proporcionando uma evolução seja por intermédio da melhoria das posses familiares, seja pela proliferação dos meios de informação rápida, seja pela melhoria no sistema de ensino, pela proliferação das ciências sociais, psicológicas, até pela globalização.

Meu pai é um senhor com mais de 80 anos e em uma conversa densa que tivemos outro dia ele me disse que eu sou uma pessoa interessante, pois, não sou presa ao passado, apenas me reporto a ele para trazer de lá o que serve de suporte para viver bem e resolver as questões do presente. Isto nada mais é do que o entendimento e a vivência do texto bíblico que se encontra em I Tess 5:21 “mas ponde tudo à prova. Retende o que é bom.”

O fato dos pais ou responsáveis se esmerarem em proporcionar uma qualidade de vida melhor para sua família não garante que terão como resultado uma prole feliz e satisfeita. O que se vive enquanto os filhos são crianças não necessariamente será refletido no relacionamento familiar nas fases adolescente e jovem deles.

É de vital importância para a sobrevivência do relacionamento familiar que o passado sirva apenas e tão somente como fonte de suporte para bem reestruturar o presente.

O tempo todo somos colocados à prova, porque tudo muda o tempo todo. Hoje somos exigidos diariamente a nos posicionarmos sobre nossa capacidade de nos relacionarmos, sobre nossas convicções, na habilidade de nos amoldarmos as diferentes condições. Muitos acreditam que essa exigência se dá, sobretudo, no âmbito social. Ao contrário, é principalmente no âmbito familiar que ela acontece. A família enquanto núcleo primeiro de convívio social continua sendo a base e o alicerce do indivíduo.

Reter o que é bom a cada dia e formar um almoxarifado interno organizado fará com que nossa capacidade de compreendermos e nos relacionarmos com as novas gerações alcance os objetivos Divinos e Eternos de continuidade do povo de Deus sobre a terra, cumprindo a missão Adâmica de “subjugar todas as coisas” (entenda-se “ter domínio racional, entendimento”) e não sermos subjugados por elas, até que o Senhor volte para o inigualável Reinado de Paz.

A prática deve começar em casa hoje, o retorno do investimento será refletido na sociedade e na igreja do futuro. Esperar que sejamos reconhecidos humanamente pelo investimento de vida em nossos filhos e em momentos de tensão trazer a tona e cobrá-los por todos os investimentos que fazemos ao longo da vida deles, o esforço para criá-los e educá-los, por si só, não trará a tão desejada consciência que esperamos que eles tenham.

As misericórdias do Senhor se renovam a cada manhã, assim também devemos renascer para os relacionamentos familiares a cada manhã, colocando todo nosso conhecimento, vivência e coração à prova todos os dias e retendo para o dia seguinte somente o que é bom, o que trouxe bom resultado.

Afinal, “… os filhos são herança da parte do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão.”, Salmos 127:3. Prepará-los para bem viver o seu tempo é obrigação assumida perante Deus, desde quando decidimos ter filhos. E quanto a nós adultos? Quem irá reconhecer nossos “sacrifícios” pelos filhos, pelos cônjuges, pela família? I Co 4:2: “Ora, além disso, o que se requer dos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel”. Na condição de despenseiro responsável, maduro e capacitado por Deus, sabemos que nosso salário é justo e pago por Êle, fielmente e em dia.

Como dizem os adolescentes, “simples assim”.

Eliane Limonge Duri
Psicóloga e advogada, casada há 23 anos, mãe de 2 filhos.

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