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Orphans - Thomas Kennington 1885 Tate Gallery, London

O Sentimento de Orfandade

A semana passada foi marcada por uma série de episódios, no mínimo, cheios de emoção: notícias boas e ruins, sustos e alívios, mortes e livramentos.

Orphans - Thomas Kennington 1885 Tate Gallery, London

Mas na última quarta-feira, em nossa reunião semanal, uma oração me chamou a atenção. Um colega de trabalho orava pelas famílias enlutadas, por outras com enfermos e em todos os casos havia uma coisa em comum: era o pai da família a razão da dor. O falecimento de um e a enfermidade de outro. Ao orar pelas famílias, o colega usou a seguinte expressão: “Senhor, supre no coração dos filhos a ausência deste amor protetor e provedor que só pode ser encontrado na figura de um pai e que reside no Senhor em toda plenitude”.

Imediatamente meus sentidos foram aguçados e meus pensamentos começaram a vagar em busca deste sentimento. Como alguém que experimentou a orfandade desde a mais tenra infância, consegui assimilar a intensidade destas palavras e também do que se passa no coração dos filhos, alvos dessa sábia oração.

Tenho ensinado ao longo dos anos que o sentimento de orfandade pode nascer de três experiências devastadoras: a morte de um ou ambos os pais, o divórcio destes ou a deserção da paternidade. Vejo estas realidades se multiplicarem bem perto de mim a cada dia.

Ainda hoje conversávamos sobre a aflição de uma mãe que não encontra mais recursos para controlar o comportamento de seu filho de cinco anos. Ela trabalha em período integral e se esforça para dar conta do filho, do lar e do casamento, que está em frangalhos. A criança fica dias sem a presença de seu pai, que é viajante. Este, quando chega de viagem, gasta todo o tempo com permissividade e nenhuma autoridade, tentando compensar a ausência prolongada. A criança, por sua vez, encontra-se em completo abandono emocional, tendo a mãe em casa na hora do almoço apenas para dar os comandos para o restante o dia, mãe esta que, de igual forma, está morrendo à mingua em suas emoções, autoestima e perspectiva de futuro. O marido já começa a notar que algo não vai bem com a família…

Incentivo nossos leitores a investirem em seus relacionamentos conjugais e em sua paternidade, relações bastante conectadas e com reflexos intrínsecos. Afinal de contas, se não podemos determinar o dia ou a hora que partiremos, podemos, pelo menos, fazer de nosso ambiente familiar o mais saudável possível, com o mínimo de estresse e total ausência do sentimento de orfandade.

Por Dinart Barradas

Imagem: Orphans – Thomas Kennington 1885 Tate Gallery, London

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