Compartilhe!
Imagem ilustrativa.

O Cristão e o Jejum – Quem se importa?

Imagem ilustrativa.

QUEM SE IMPORTA*
*título emprestado do filme de Mara Mourão

Inspirado no artigo Drogas, um assunto de Família do meu amigo Paulo Henrique Barbosa e na iminência do lançamento do livro Como falar de Drogas em Casa – Stephen Arterbum & Jim Burns e especialmente por este dia, 26/06, que é o Dia Internacional de Combate às Drogas, sugiro com base no esboço para um estudo que está anexo , O Cristão e o Jejum, um dia de Jejum durante ainda esta semana com objetivo de:

  • Rogar pelas misericórdias do Senhor por aqueles que são vitimados pelas drogas, dependentes, co-dependentes e a sociedade;
  • Para que especialmente os pais ajam com intenção e consigam abordar sobre o assunto, encarando de frente esta epidemia das drogas;
  • Dar ao poder público e instituições afins a criatividade no enfrentamento;
  • Despertar as igrejas cristãs no Brasil ao tamanho do problema e
  • Envolvimento das famílias em conversas francas sobre as formas de drogadição.

O CRISTÃO E O JEJUM

1. O que é o jejum ?

Jejum é a abstinência de alimentos com finalidades espirituais. (Não é dieta, greve de fome, ou prática medieval).

 

2. Por que a prática do Jejum é tão impopular?

2.1 Associação com prática medieval e monástica, com conatações de espiritualidade primitiva e auto-flagelada;

2.2 Esvaziamento do conceito de disciplina: tão certo quanto afirmar que Deus vê o coração, é afirmar que Deus vê o coração de quem se coloca diante Dele, o que implica nas práticas devocionais e disciplinas espirituais. Não basta atitude interior, é preciso incluir atividade na agenda;

2.3 Espírito de época hedonista, que rejeita qualquer espécie de privação; vivemos em uma geração que desconhece o conceito de sacrifício, desejando experimentar o melhor de todos os mundos sem abrir mão de nada. “Para fazer uma coisa você deve deixar de fazer outra”, disse Rick Warren, afirmando o óbvio negligenciado;

2.4 Superficialidade generalizada desta geração, que não radicaliza em nada, sendo medíocre em quase tudo: profissionais, pais, cônjuges, e cristãos mais ou menos comprometidos e mais ou menos capazes.

 

3. Quem, por exemplo, praticou regularmente o jejum?

Moisés, Davi. Elias , Ester, Daniel, Ana, Paulo e Jesus. John Huss, Lutero, Calvino, John Knox, John Wesley, Jonathan Edwards e Charles Finney, Confúcio, Zoroastro, Platão, Aristóteles e Hipócrates. Isso demontra que o valor da prática sistemática do Jejum era reconhecida como proveitosa inclusive além dos limites da espiritualidade religiosa.

 

4. De que maneira devemos praticar o jejum?

4.1 Abstinência de qualquer alimento , exceto água (O Senhor Jesus, após 40 dias, teve apenas fome, e não sede, Mt 4.2);

4.2 Restrição parcial ( O Profeta Daniel abriu mão das iguarias babilônicas, Dn10.3);

4.3 Jejum absoluto, que implica inclusive na abstinência de água, como Moisés, ao receber as Tábuas da Lei (Dt 9.9; 1Rs 19.8; Et 4.16; At 9.9)

 

5. Em que contexto, ou ocasiões, devemos jejuar?

5.1 Particular, como no caso do Sermão do Monte;

5.2 Público, exigido pela lei, uma vez por ano (Lv 23,27), ou em ocasiões emergenciais (Joel 2-12-17, para arrependimento; 2Cr 20.1-4, sob ameaça; Esdras 8.21-23, em busca de segurança)

Em 1756 o Rei da Inglaterra convocou jejum nacional quando sofria ameaça de invasão dos franceses. Em 6 de fevereiro, John Wesley registrou em seu diário as seguintes palavras:

“O dia de jejum foi um dia glorioso, tal como Londres raramente tem visto desde a Restauração. Cada igreja da cidade estava mais do que lotada, e uma solene gravidade estampava-se em cada rosto. Certamente Deus ouve a oração e haverá um alongamento de nossa tranquilidade”. Depois, escreveu em uma nota de rodapé: “A humildade transformou-se em regozijo, pois a ameaça de invasão dos franceses foi impedida”.

John Wesley radicalizou tanto na prática do jejum que não recomendava para o ministério pastoral Metodista quem não jejuasse pelo menos três vezes por semana.

 

6. O jejum é um mandamento bíblico?

Não existe qualquer referência bíblica como ordem para o jejum. No entanto, podemos considerar que Jesus esperava que seus discípulos jejuassem após a sua morte (Mateus 9.14-17), deixando inclusive orientações específicas para a prática do jejum (Mateus 6.16-18). O jejum não é ordenado, mas é previsto e esperado.

 

7. Quais são os propósitos do Jejum? 

O jejum deve focalizar a pessoa de Deus e expressar a busca de intimidade com Ele. O Senhor Jesus, na trilogia devocional do Sermão do Monte, descartou como cristã toda prática piedosa voltada para o benefício próprio (Mateus 6.1-18).

Spurgeon relatou sua experiência de jejum com as seguintes palavras: “Nossas temporadas de oração e jejum no Tabernáculo têm sido, na verdade, dias de elevação; nunca a porta do céu esteve mais aberta; nunca nossos corações estiveram mais próximos da glória central”.

John Wesley instruiu seus pupilos com as seguintes orientações: “Primeiro, seja ele (o jejum) feito para o Senhor, como nosso olhar fixado unicamente nele. Que nossa intenção aí seja esta, e somente esta, glorificar a nosso Pai que está no céu”. Ao que Richard Foster acrescenta: “Esse é o único modo de sermos salvos de amar mais a bênção do que Aquele que abençoa”.

 

8. Quais são os benefícios do Jejum? 

O jejum, como visto, é uma disciplina espiritual devocional, cujo propósito é a aproximação e a busca de intimidade com Deus, para a glória de Deus mesmo. Grande erro seria tratar o jejum como penitência ou moeda de troca com Deus. As bênçãos de Deus são conhecidas unicamente pela sua graça, e todas elas devem ser recebidas como “favores imerecidos”.

Entretanto, todos os cristãos que praticam jejum podem testemunhar de seus efeitos em sua peregrinação espiritual. Isso porque, os frutos espirituais, como já foi dito, não dependem apenas das “intenções do coração”, mas “das intenções do coração seguidas de atividades práticas disciplinadas”. O jejum, portanto, assim como a oração, não é uma moeda de troca com Deus, mas uma via de acesso às inúmeras bênçãos que Deus deseja nos dar pela sua graça. Seguem alguns benefícios da prática sistemática do jejum.

8.1 A prática do jejum faz aflorar as coisas que nos controlam e abrem a porta da libertação e do domínio próprio. Ela nos ajuda a esvaziar a mala de tantas coisas supérfluas e pesadas: desejos, memórias, sentimentos, etc (1Co 6.12; 9.27).

8.2 A prática do jejum abre caminhos para santificação, pois a sensibilização da consciência à presença de Deus traz a luz como pecado o que antes era visto apenas como hábitos ou fraquezas. Quanto mais luz, mais se vê a sujeira.

8.3 A prática do jejum possibilita maior eficácia na oração e intercessão. A oração e a intercessão são apresentadas como intenso combate (Rm 15.29,30; Cl 4.12). Somente quando nos aplicamos de coração inteiro podemos experimentar os frutos de intercessão e da súplica.

8.4 A prática do jejum clarifica e potencializa nossa percepção espiritual: discernimento e compreensão das Escrituras Sagradas.

8.5 A prática do jejum traz orientação espiritual para momentos de decisão.

8.6 A prática do jejum nos torna mais disponíveis para Deus e sensíveis à sua presença: tornando-nos capazes de perceber a atuação e cuidado de Deus no dia-a-dia, e nos tornamos mais alegres em meio às atividades corriqueiras da vida.

8.7 A prática do jejum nos fortalece para enfrentamento das hostes espirituais da maldade.

8.8 A prática do jejum traz vitalidade espiritual. Muitos cristãos são galhos secos cujos frutos esporádicos são resultantes da misericórdia de Deus em resposta a orações hesitantes e igualmente esporádicas. As disciplinas espirituais, dentre elas o jejum, fazem de nós, “galhos ligados a parreira”, e abrem canais e para o fluir do Espírito, tornando-nos árvores frondosas e frutíferas.

 

9. Como podemos iniciar nossa experiência na prática do jejum? 

Primeiro atendendo esta nossa sugestão, em realizar o jejum nesta semana.

 

COMO?

9.1 Comece separando o período do almoço para estudo da Bíblia e oração.

9.2 Busque parceiros.

9.3 Inicie o período com contrição e louvor.

9.4 Separe uma porção específica da Bíblia para sua meditação.

9.5 Leia, “Como falar de Drogas em Casa” –Stephen Arterbum & Jim Burns.

9.6 Estabeleça alvos de oração.

9.7 Registre sua experiência em um diário.

 

Deus os abençoe,

Nobu Handa

Coordenador do Projeto Deus Provedor e
Representante Institucional da UDF – Universidade da Família.

 

CONHEÇA NOSSOS CURSOS