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O Caminho da Vida

Imagem ilustrativa.

O Caminho da Vida
Por Paulo Henrique Barbosa* 

 

“Toda a lei se resume num só mandamento: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Mas se vocês se mordem e se devoram uns aos outros, cuidado para não se destruírem mutuamente.” (Gálatas 5.14-15)

 

Ou seja, em resumo, o que Deus espera de mim tem tudo a ver com a minha relação com o próximo. Por conseqüência, o meu relacionamento com Deus passa pelo fator decisivo do meu relacionamento com as outras pessoas. É por isso que Jesus aconselhava seus ouvintes a reconciliarem-se com seus desafetos antes de apresentarem suas ofertas no altar, sempre alertando que Deus só perdoa quem perdoa.

Amar o próximo como a mim mesmo significa trazer o outro para um lugar de preferência muito particular, o lugar de preferência que eu reservo exclusivamente a mim. Com isso, tiro de mim a centralidade da minha existência, o que implica servir o próximo – como o apóstolo diz no versículo anterior: “sirvam-se uns aos outros” (Gl. 5.13).

O resultado é uma compreensão de que não existo exclusivamente para mim e para aquilo que me agrada. Existo para mim sim, mas em igual medida para o próximo.

Essa forma de pensar e enxergar a si mesmo e ao outro é a única que faz sentido na condição de absoluta interdependência na qual se dá nossa breve existência. Simplesmente não vivemos sem as outras pessoas. O trabalho, a história, a experiência, o comportamento, as habilidades, a personalidade de uma multidão incontável de conhecidos e desconhecidos passam por nós num único dia, em múltiplas relações, e tornam possíveis toda a nossa vivência nele.

Porém, colocar essa compreensão em prática exige um rompimento firme e sem volta com dois valores fortíssimos que se apresentam como orientadores do nosso modo de pensar e agir: a competitividade e o individualismo. Milton Santos, importante intelectual brasileiro, explica bem esses dois conceitos.

“A competitividade tem a guerra como norma. Há, a todo custo, que vencer o outro, esmagando-o para tomar seu lugar.” Já o individualismo tem o efeito de “constituir o outro como coisa”. Ele conclui que “comportamentos que justificam todo desrespeito às pessoas são, afinal, uma das bases da sociabilidade atual”. Enfim, somos formados para a competitividade e o individualismo, que excluem o próximo ao invés de amá-lo.

O resultado da adesão a esses valores é um modo de vida que nos rebaixa para a condição de animais, que se mordem e se devoram uns aos outros, nas palavras do apóstolo Paulo. O fim disso, prossegue o texto, é a destruição mútua.

Mas, se é assim, o contrário também é verdadeiro: amar o próximo como a si mesmo é, portanto, o caminho da vida, que, corrigindo as relações horizontais entre as pessoas, torna possível a relação vertical delas com o Pai Celestial. Provavelmente, é por isso que resume tudo o que Deus quer de nós.

*O autor é advogado e colaborador da Universidade da Família.

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