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Dia de celebrar as mães – minha mãe

Por Márcia Nishimura

O dia das mães está chegando e já pensamos nos presentes que iremos dar e no cardápio do almoço de domingo. Esse dia se torna o dia da vovó, porque toda mãe tem mãe também. Como algumas avós tem mãe viva, torna-se o dia da bisa também. As mães em estado de graça, que são as grávidas, também recebem homenagens pelos bebês.
Todos que tem a mãe falecida, recordam com muito amor de suas genitoras.
Aqui entro com a história de minha querida mamacita. Minha mãe já foi promovida para o céu e está feliz na presença de Jesus.

Keiko Yamazaki (minha mãe), conhecida como D. Teresa Keiko Nishitani, nasceu em Araguari, filha de pais imigrantes japoneses. Seus pais já chegaram ao Brasil como cristãos, o que é raro por ser o Japão um país predominantemente budista, xintoísta. Aos domingos, seu pai (meu avô) abria a casa para as crianças da vizinhança, para participarem da escola dominical que organizava, cantando e estudando a Palavra de Deus. Meu avô morreu muito cedo, quando minha mãe tinha 9 anos de idade.
Mudaram para São Paulo para terem mais oportunidades de trabalho. Minha avó teve 6 filhos: minha tia Gorda, tia Natalina, tia Conceição, minha mãe Keiko, tia Celina e tio Mário. Keiko com 9 anos teve que cuidar dos dois irmãos menores de 7 e 5 anos, enquanto outros trabalhavam fora de casa. Não pode estudar, pois cozinhava, cuidava da casa e dos irmãos menores. Saltou da infância para a vida adulta sem ter escolhas. Minha avó fez um curso técnico de enfermagem e obstetrícia, e trabalhava no hospital.

Para ajudar na renda familiar, fazia partos nas casas, procedimento muito comum na época. Mudaram para Osvaldo Cruz por ter a tia Gorda com situação financeira melhor, porque se casara com o tio Gordo, engenheiro topográfico. As irmãs se tornaram costureiras e faziam vestidos de noiva e o tio Mário fazia ternos para cavalheiros como alfaiate que era.
A jovem Keiko conheceu seu vizinho Shizuo e se apaixonou por ele. Arrematava roupas, sentada numa cadeira em cima de uma mesa, para ver seu príncipe do outro lado do muro, lendo jornal no quintal! A família de Shizuo tinha um empório de secos e molhados (que era um estabelecimento comercial precursor do supermercado). As irmãs pediam para Keiko comprar todo dia alguma coisa para que eles se encontrassem. Fósforo, café, ou açúcar eram desculpas para ela ir ao empório. Já os irmãos de Shizuo sempre deixavam a freguesa Keiko ser atendida por Shizuo. Ah! O amor floresceu, se casaram e foram morar em Tupã. Tiveram 3 filhos: Gilson Taigi, Márcia Yoko e Alberto Tsuyoshi.

Aqui começa a história de Keiko como mãe. Sendo crente em Jesus, casou-se com meu pai de origem budista. Batalhou pela sua conversão por 20 anos, e sempre me dizia para eu me casar com crente também, para não sofrer como ela. Sempre pedíamos oração ou conselho para a mamãe, e papai sentia-se triste. Resolveu se batizar repentinamente após ver que a vida de Keiko era mais coerente que a dele. Aproveitando um pastor canadense hospedado em casa, aceitou Jesus e mudou a vida completamente. Deixou o majan (jogo) e o aperitivo (pinga), o cigarro e os antigos amigos. Vida nova com Jesus. Mamãe era muito hospitaleira. Todas as visitas da igreja comiam e dormiam em nossa casa. Parecia um hotel! Era muito comum ela fazer comidas e doces japoneses que levava nas visitas aos enfermos da igreja. Generosidade era natural para ela. O pastor da igreja era ainda solteiro e lá ia D. Teresa fazer marmita para ele. Isso foi por um ano inteiro, até ele se casar.
Dava aula na escola dominical também, e ela contava as histórias bíblicas como ninguém. Fazia vozinhas dos personagens, barulhos das tempestades, passos e sons de abrir a porta ou armários. Um show!
Gostava de flores e plantas. Depois de casada, eu enviava para sua casa minhas plantas para ela curar.

Era o meu hospital das plantas e ela era a médica que cuidava das plantas com adubos feitos por ela mesma.
Me ensinou a amar a natureza e isso influenciou na escolha da profissão: Biologia.
Depois de 50 anos, ela fez todo o curso primário, secundário, colegial, no sistema de madureza. Uma espécie de curso rápido do governo. Entrou na faculdade e começou a cursar Inglês e português, ou seja, Letras. Ficou muito doente e decidiu parar. Mas quem em sua idade conseguiria chegar do zero até a faculdade? Não muitas.
Mas mamãe tinha um sonho: tocar piano e aprender natação e tênis. Foi à luta e aprendeu tudo que queria. Era monitora de ginástica na igreja do Bosque da Saúde em SP. Fazia todos os movimentos da ginástica como um espelho, do contrário, para as pessoas acompanharem. Tinha a elasticidade de uma jovem.
Gostava muito de servir ao próximo. Doava sem hesitar. Para o porteiro do prédio deu o sofá, para outra pessoa deu a mesa antiga, roupas e assim minha mãe demonstrava desapego às coisas materiais. Ela cria no seu Deus provedor.

Participava das reuniões de oração diárias na igreja às 6 horas da manhã, quando morava em Tupã.
Em seu lar, junto com meu pai, lia a Palavra e orava por todos seus filhos, netos e familiares. Isso foi durante toda a sua vida. Eu tinha minha intercessora particular, confidente, conselheira, apoiadora, amiga.
Era teimosa. Quando colocava uma coisa na cabeça, e tinha certeza de que era de Deus, fazia sem hesitar. Não comia o pão da preguiça. Disposição de fazer ao Senhor tinha de sobra.
Nunca me bateu fisicamente. Falava com paciência com uma voz angelical. Mas quando ficava brava, falava claramente o que queria sem gritar, com autoridade. Em nossa família nunca gritávamos, e até a bronca era delicadamente falada, mas atingia nosso coração em cheio. Até hoje, nós irmãos não gostamos de gritaria e o falar calmamente ficou nossa marca registrada.
Minha mãe nos influenciou tanto, que o estilo dela se tornou o nosso.

Mulher forte, mas doce. Vaidosa, nunca usava chinelos em casa. Sempre de sandália ou sapato, e dizia que nosso pai nunca a viu de bobes na cabeça. Dizia que quando o marido chegasse, teria que estar arrumada e cheirosa. Não é à toa que meu pai voltava em casa e a primeira coisa que ele perguntava era: cadê a mamãe?
Ela tinha uma natureza espiritual sensível. Percebia os movimentos da casa e o que estávamos sentindo. Era como se fosse um radar. Após o almoço contávamos os acontecimentos da escola, mas da paquera e das paixonites agudas e não correspondidas, eu contava só para minha mãe. Por ser criada nos princípios da Palavra de Deus, ela nos ensinou a ter fé, discernimento e confiar no Deus provedor.
Louvo ao Senhor pela minha mãe. Uma mulher virtuosa. Evangelizadora e levita.
Podeis pensar: que exagero, não existe mulher desse jeito!

Pergunte às suas conterrâneas, amigas, pessoas da igreja, para a família, para qualquer pessoa que conversou com ela, que se hospedou em sua casa, pergunte aos seus filhos, netos. Creio que vão confirmar suas qualidades.
Tem muitas coisas mais de minha mamacita, mas desejo provar que a mulher que vive com Jesus, é virtuosa, vitoriosa, porque Jesus vive dentro dela. Ela erra, mas se arrepende, disciplina com amor e não com raiva, e o mais importante: ama incondicionalmente.

De onde vem esse amor? Sempre soube que vem de Deus. Porque Ele nos amou primeiro, tanto, tanto, tanto, que sacrificou seu filho por nós.
Nós mães, teríamos a coragem de sacrificar nosso próprio filho? Difícil não? Mas Deus nos amou assim.
Constrange-nos de tanto amor.
Nesse dia das mães, vamos nos alegrar pela Sua criação feminina, embutida de valores e talentos que nascem do coração de Deus, individualmente projetadas em cada mulher que Ele criou.

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