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Aprendendo a lidar com a Raiva e Agressividade das Crianças

APRENDENDO A LIDAR COM A RAIVA E AGRESSIVIDADE DAS CRIANÇAS
Por Karine Rizzardi* 

Muitos pais não sabem, mas a agressividade e a raiva no comportamento das crianças, nada mais são do que a forma que elas encontram de esconderem seus sentimentos de impotência diante de algo que não sabem como lidar.

Depois do próprio sentimento de impotência dos pais, quando não sabem mais o que fazer quando os irmãozinhos estão brigando ou quando um deles se manifesta de forma explosiva. Uma lição é importante tanto para os pais, quanto para os filhos: todo ser humano deve se permitir sentí-los, mas o diferencial será em como irão administrá-los.

A forma mais ineficaz e errada de lidar com as emoções nos filhos, é dizer frases como: “Isso não dói tanto”, “Não precisa ter medo” ou “Aquilo não é tão ruim assim”. Dizer isso faz os filhos pensarem que seus sentimentos são exagerados e desnecessários. A maneira mais efetiva e consistente de auxiliar os filhos nessas horas, é fazer simplesmente uma coisa: auxiliá-los a detectar qual o sentimento que eles estão sentindo naquele momento. É como se os pais fossem os tradutores de uma língua que as crianças não dominam.

Quando as crianças percebem que os pais conseguiram traduzir seus sentimentos, elas se acalmam e os pais nem imaginam que auxiliaram seus filhos a ativar áreas do cérebro que as instrumentalizam a resolver seus próprios conflitos. Como ninguém gosta de textos compridos, procurei selecionar objetivamente, as reações mais adequadas que os pais podem reagir nesta hora difícil:

  1. O adulto deve saber o que está acontecendo, mas deve evitar intervir. Quando as crianças precisam de ajuda, elas pedem. Somente os casos de agressões físicas que deve ter a ação efetiva dos pais.
  2. Se coloque no lugar da criança. Se já não é fácil para marido e mulher se reconciliarem tranquilamente na hora de uma briga, imagine então irmão e irmã. As crianças conseguem se reconciliarem sozinhas, na maioria das vezes, tanto é que elas brigam, mas logo depois, voltam a brincar.
  3. Quando você não sabe o que fazer, o melhor a ser feito é justamente “traduzir” o sentimento da criança. Isso lhe dá conforto.
  4. Quando as crianças ou a situação está tensa, elas precisam de uma voz calma e tranquila que estabilize o sentimento delas. O fato dos pais se mostrarem mais calmos, em questão de minutos, a calma de um pai (mãe) tem o poder de diminuir a ansiedade da criança.

Nisso, é importante que você:

  • Toque a criança, com amor, mas firmeza;
  • Abaixe-se na altura dela, para mostrar-lhe o quanto sente empatia pelo ocorrido;
  • Se uma delas estiver mais brava, pegue ela primeiro e saiba que ela só quer ser entendida por vocês;
  • Após isso, pegue a outra criança com afeto e procure descobrir como se sente.
  • Se ambas se acalmarem rápido, pode começar a conversar com ambas, para descobrir o que aconteceu. Não adianta conversar quando as crianças nervosas. Deixe a poeira abaixar e depois, volte no assunto;
  • O foco das brigas não deve ser de buscar culpados, mas de orientá-las para que uma compreenda o ponto de vista da outra. Isso aciona os hemisférios do cérebro que são necessários para os sucessos nos relacionamentos familiares e sociais;
  • Se a agressão é verbal, do tipo: “A mana é boba!” ou “Quero que a mamãe vai embora”, não significa que a criança está sentindo isso, mas que talvez, se a mãe não estivesse em casa, ela não iria ficar me incomodando.

Lidar com os filhos é o mesmo que aprender a lidar com os sentimentos do próprio adulto.

 

*A autora é psicóloga especialista de casais e família.
Contato: karinerizzardi@hotmail.com.

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