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A Páscoa

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Sempre que se aproxima uma data comemorativa de importante valor espiritual para toda a sociedade, começamos a viver a angústia de vê-la sufocada pelo apelo comercial, pelas influências pagãs e pelo vazio de significado que fica no ar, tornando a data um fim em si mesmo, sem acrescentar nada à moral, aos bons costumes e, sobretudo ao coração humano.

Uma dessas datas é a Páscoa. Nenhuma data será mais forte do que o significado que atribuirmos a ela. Se, para a nossa sociedade, a Páscoa está resumida aos símbolos popularmente consagrados, é porque, de alguma forma, foi colocado mais peso nesta metalinguagem.

Sem se dar conta, a sociedade ocidental adaptou-se ao costume oriental de utilizar ovos cozidos e pintados em suas festividades religiosas e sociais. Na idade média, os ovos eram pintados de vermelho na tentativa de conectar o costume à celebração da Páscoa cristã. Mais à frente, no séc. XVIII, surgiram os ovos artesanais de chocolate, que assumiram um caráter industrial no início do séc. XX. De lá pra cá a história é contada por si mesma.

O que realmente deve levar-me à reflexão não é o fato de que hoje grande parcela da população já não conecta a palavra Páscoa à libertação do povo de Israel do jugo egípcio ou à ressurreição de Cristo ocorrida no dia em que os judeus comemoravam tal evento, inaugurando assim a Páscoa Cristã, mas sim o quanto da minha prática confere mais peso a uma ou a outra realidade. Para ser mais objetivo, devo me fazer as seguintes perguntas: “O que vai acontecer na minha casa no domingo de Páscoa: uma celebração consciente e intencional a respeito da Páscoa Cristã ou uma celebração inconsciente e automática da páscoa cultural? Já fiz as contas de quantas pessoas receberão uma saudação de Feliz Páscoa recheada da alegria cristã na crença da ressurreição ou contabilizei quantos receberão chocolate cheio de sabor e vazio de significado? Meus filhos ouvirão mais uma vez a linda história de Deus que busca e salva o homem ou a singela história do coelhinho ovíparo? O que vai pesar mais na balança, o túmulo oco ou o ovo recheado? Como será a minha Páscoa, verdade ou tradição?”. Ainda bem que tenho alguns dias para repensar os meus planos…

Para as crianças pouca diferença fará se elas ganharem chocolate no sábado ou no domingo, mas fará toda a diferença se elas souberem que aquele domingo não pode ser confundido com nenhuma outra tradição, mas ele é para nós, cristãos, um dia tão especial quanto é o Natal de Jesus.

Feliz Páscoa a todos!

Texto escrito por Dinart Barradas

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